FEAC FRANCA
ACERVO
Vicente Leporace
151 - adicionado em Dezembro/2009
Vicente Leporace iniciou sua carreira em nossa cidade, na extinta PRB5 - Rádio Clube Hertz, depois foi para São Paulo. Lá, se destacou em Rádio, Cinema e Televisão. Quando faleceu pertencia ao quadro de comunicadores da Rádio Bandeirantes de São Paulo e apresentava o seu tradicional programa "O Trabuco" - ganhador de várias homenagens e prêmios, pela sua brilhante atuação. Em nossa cidade, o bairro mais populoso tem o seu nome. Leporace, embora nascido na cidade de São Tomáz de Aquino, costumava dizer sempre: Sou da Franca.

(Familiares doaram ao nosso museu alguns dos seus pertences e se encontra em nosso acervo, dentre eles o Troféu Roquete Pinto. Vicente Leporace, nasceu em em 26 de janeiro de 1912 e morreu em 16 abril de 1978, de edema pulmonar, aos 66 anos, em São Paulo).

Participou da Revolução Constitucionalista de 1932. Passou pelas Rádios Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro; Cruzeiro do Sul (SP); Record (SP). Também foi ator. Estreou no cinema em 1949 no filme "Luar do Sertão" e participou de muitos outros, como "Sai da Frente" (1952) e "Carnaval em Lá Maior" (1955). Após essa passagem pelo cinema, resolveu dedicar-se somente ao rádio. "O Trabuco", nome do seu tradicional programa na Bandeirantes, foi ao ar pela primeira vez em 1951, permanecendo por quase 30 anos, sempre comentando os fatos políticos do dia. Foi também apresentador do programa “Gincana Kibon”, ao lado de Clarice Amaral, na TV Record (anos 60), programa que divulgava apresentações de crianças que freqüentavam escolinhas de Ballet, Conservatórios, etc. Não podemos esquecer que o “Gincana Kibon” sempre sorteava um aniversariante para comemorar a data com bolo gelado da Kibon, durante o programa que era sempre apresentado "ao vivo" e tinha boa audiência na época. Leporace também mantinha coluna em diversos jornais de São Paulo.

Extraído do site - http://www.portaldosjornalistas.com.br

14.01.13 - Memórias da Redação – O laboratório do Leporace

O laboratório do Leporace

Esse título, escrito assim desse jeito, pode levar o respeitável público a imaginar que Vicente Leporace era dono de um laboratório farmacêutico ou de um laboratório de análises clínicas. Pensar em qualquer outro tipo de laboratório seria, digamos, uma insinuação malévola (malévola é bonito, hein?), não tem nada a ver com Leporace, que era um jornalista correto e um cidadão exemplar. Se necessário, ele até poderia lavar a honra com sangue, mas, civilizado, desistiria da ideia até porque lavar a honra com sangue prejudica o hemocentro da Santa Casa. Mas do que é que eu falava mesmo? Confesso que estou mais perdido do que o Romney depois da derrota para o camarada Obama. Acho que vou pedir ajuda aos universitários, ou ao meu amigo valente Ricardo Kotscho, que manja um bocado da arte de escrever.

Já me lembrei: a conversa era sobre o laboratório do Vicente Leporace e, após encher linguiça e outros embutidos, não tenho mais como enrolar vocês e, assim, vou explicar que diabo de laboratório era esse. Além do antológico O Trabuco, Leporace também apresentava na Rádio Bandeirantes o programa Laboratório Musical, no fim da década de 60 do século passado (agora é assim: sempre que mencionamos o século 20 convém acrescentar a expressão século passado).

Ele apresentava discos recém-lançados, enfim, as novidades musicais e, após a execução (do disco, não do cantor), fazia os comentários de praxe. E lá vinha bomba! Se o disco era bom, como um do cantor Wilson Simonal, Leporace não economizava nos elogios e colocava o cantor nas alturas. Quando ele achava o disco medíocre, a crítica era ácida, mas com dose de humor e fina ironia. Foi o que aconteceu com o cantor Ronnie Cord, que gravara Rua Augusta, um clássico da Jovem Guarda. Leporace detonou a música. O compositor era Hervé Cordovil, pai do cantor e que também fez a versão de outro sucesso do filho, o clássico Biquíni de Bolinha Amarelinha. O original é Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini, sucesso de Brian Hyland, cantor cujo topete era maior do que o de Elvis Presley.

Comentário do jornalista: “O Hervé Cordovil, agora, virou twistista”. Em pleno ar, de improviso, ele criou um neologismo interessante, uma alusão aos cantores e compositores de twist, o ritmo consagrado por Chubby Checker (crônica também é cultura). Leporace achava o fim da picada um compositor do quilate de Hervé Cordovil render-se ao iê-iê-iê, logo ele que compusera Vida do Viajante, em parceria com Luiz Gonzaga, e Sabiá lá na Gaiola, que fez com Mário Vieira.

Em outra ocasião, a vítima foi ninguém menos que Roberto Carlos, que, à época, não encontrava muito espaço nas rádios paulistanas. A exceção era a Rádio Piratininga, onde o produtor e discotecário Carlos Vidal deu uma força ao Zunga, apelido de Roberto, outro que nunca arriscou o pescoço por nada (quando lhe perguntavam sobre política, RC tirava o dele da reta dizendo que era Vasco). Não é exagero afirmar que Vidal ajudou a projetar o cantor em São Paulo. As outras rádios torciam o nariz para ele. Ou tapavam os ouvidos. O futuro rei (olha a República em perigo, te cuida, camarada Dilma!) tinha acabado de gravar Parei na Contramão. Leporace ouviu o rockinho – ou iê-iê-iê, sei lá – e não perdoou:“Parou na contramão? Então, merece ser multado, chamem o guarda de trânsito”.

Vicente Leporace também foi apresentador de um programa dominical na Televisão Bandeirantes, hoje Band. Ele reclamava de perseguição do Ibope, achava que o instituto de pesquisas não lhe fazia justiça sobre a audiência do programa. Na avaliação do apresentador, o programa tinha boa audiência em São Paulo. No livro Na Terra do Crioulo Doido ou Febeapá 3 (Festival de Besteira que Assola o País), Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) reservou um capítulo para falar das bobagens televisivas. Tem cada coisa do arco da moça.

Mesmo não sendo analgésico, o humorista tomou as dores do apresentador. Reproduzo a seguir o trecho em que Stanislaw conta a encrenca de Leporace com o Ibope: “No domingo seguinte, mostrou (Leporace) um cheque de um milhão de cruzeiros, logo que o programa começou e explicou que, segundo o Ibope, seu programa era visto por mais ou menos umas 20 mil pessoas. ‘Muito bem’ – prosseguiu – ‘se algum telespectador receber em sua casa ou conhecer algum ‘pesquisador’ do Ibope, mande-o aqui com o seu respectivo cartão de identificação que este cheque de um milhão será dele. São 4 horas da tarde. Eu espero até as 7’. Até hoje não apareceu nenhum”.

Por: Sandro Villar - http://www.portaldosjornalistas.com.br
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