FEAC FRANCA
ACERVO
Garcia Netto
293 - adicionado em Dezembro/2009
José Reynaldo Nascimento Falleiros, nasceu em Capetinga - Mg. Veio para Franca quando criança, em 1946 iniciou sua carreira de jornalista e radialista na Rádio Clube Hertz - PRB 5. Passou por várias cidades como: Curitiba, Londrina, Rio, R.Preto e São Paulo. Em 1976, abriu a Rádio Hertz de Franca "AM" e em seguida conseguiu a Rádio Hertz "FM" em 1978. Em 1976, dirigia também a Rádio Cultura "AM" de R. Preto e a Rádio Cidade "FM", hoje 2007 a Rádio Melody "FM". Membro do Lions Clube, colaborador do caderno Nossas Letras do Jornal Comércio da Franca.

Garcia foi casado com a Sra. Thereza de Souza, pai de 3 filhos) - José Reynaldo Nascimento Falleiros (Garcia Netto), 81, é jornalista, radialista e escritor francano. Autor dos livros Colonialismo Cultural (1975); participação em Vila Franca dos Italianos (2003); Antologia: Os contistas do Jornal Comércio da Franca (2004) e Filhos Deste Solo - Medicina & Sacerdócio (2007). Cafeicultor e pecuarista, hoje aposentado. Chegando ao Rio, início de 1950, depois de ter passado por São Paulo e atuado nas rádios Cruzeiro do Sul - já sucedida por Piratininga no Largo do Patriarca - Bandeirantes e Cultura, andei quebrando pedras para conseguir o primeiro emprego na Rádio Relógio Federal. Minha carteira profissional no Rio carrega até hoje a glória de ter a assinatura de um dos mais importantes locutores do país: Cesar Ladeira. Ele havia sido da Rádio Mayrink Veiga e lia, na Rádio Nacional do Rio, às 13h, a “Crônica da Cidade” de Genolino Amado.

Genolino casou-se com a atriz Renata Fronzi, expoente do teatro de comédia e rádio-atriz de destaque. Na história do rádio brasileiro, há que registrar-se a Rádio Nacional em certo momento, dando microfonia no Brasil com seus programas. A programação de auditório animada por Manuel Barcelos, às quintas-feiras, Cezar de Alencar no sábado, Renato Murce e Paulo Gracindo em apresentações especiais, descobriam astros e estrelas como Agnaldo Rayol, Nora Ney, Jorge Goulart, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Dolores Duran, Francisco Carlos, Maysa, Anísio Silva, Dóris Monteiro, Lúcio Alves, Camélia Alves e Luiz Gonzaga que chegavam para juntarem-se aos já consagrados Vicente Celestino, Elizete Cardoso, Silvio Caldas, Marlene, Orlando Silva, Emilinha Borba, Nelson Gonçalves, Araci de Almeida, Ciro Monteiro, Ademilde Fonseca,
Francisco Alves, irmãs Batista que o Rio Grande mandou - Linda e Dircinha - Izaurinha Garcia, Trio de Ouro, Gilberto Alves, Dalva de Oliveira, Ivon Cury, Heleninha Costa, Gilberto Milfont e Carlos Galhardo.

O Brasil ficava em silêncio quando os clarins anunciavam a potente e límpida voz do gaúcho Herón Domingues na apresentação do Repórter Esso. No domingo, às 12h, uma voz era ouvida em todo o país: “quando os ponteiros do relógio se encontram no meio do dia, o Brasil se encontra com o Rei da Voz, Francisco Alves”. Sua morte em acidente ocorreu na via Dutra, altura de Pindamonhangaba, num sábado, 27 de setembro de 1952. O Rio de Janeiro ficou de luto e o Brasil chorou, em convulsão. Eu estava lá. Os lares brasileiros viviam grandes emoções todas as noites com a radionovela “O direito de nascer”, em que o par romântico, artistas Nélio Pinheiro e Ísis de Oliveira arrancava suspiros dos ouvintes ainda não conhecedores do processo televisivo. Durante o forte sucesso que viveram seus intérpretes, viajamos todo o Brasil, Ísis, Nélio, o violonista Cezar Moreno e eu, fazendo apresentação de espetáculos, em finais de semana.


No Rio, o primeiro concurso de que participei para locutor foi na Rádio Clube do Brasil, depois Radio Mundial, atual Globo que, adquirida por Alziro Zarur, fundador da Legião da Boa Vontade, transformou-se em emissora da LBV. Fui reprovado. Havia naquela época a expressão: “sua fala é muito paulista” e a minha estava assim qualificada. Era membro da banca julgadora uma explosão de voz bonita dos microfones nacionais, locutor dos mais conceituados, mais tarde conhecido e famoso como apresentador de show e Rei das Mulatas, - lindas - de quem me tornei amigo: Oswaldo Sargentelli. Meu trajeto incluiu trabalhar com Chico Anísio na Radio Mayrink Veiga, ele então somente redator de humorismo para um programa de auditório do Trio de Osso: Lamartine Babo, Yara Salles e Heber de Bôscoli. Já naquele momento, Chico muito jovem, tinha nível intelectual e inteligência invejáveis indicando seu sucesso que haveria de chegar à estrutura do rádio brasileiro. A Mayrink pertencia ao empresário Antenor Mayrink Veiga, responsável por inúmeros sucessos desde 1926. Passou, posteriormente, ao domínio de Leonel Brizola, polêmico político que ali, ao microfone, concitou a atenção brasileira propondo o movimento de criação do Grupo dos 11. Embora se atribuísse ao deputado Miguel Leuzzi, diretor da Rede Piratininga de Rádio; a propriedade verdadeira da emissora, comentava-se: era Brizola o dono. A legislação e segurança nacional, sempre, na área da radiodifusão, determinaram posturas irretorquíveis. Os personagens aqui citados, em sua quase totalidade, me deram a honra de relação bastante estreita. Se me permitem, farei referência a um deles: Anísio Silva me impôs ouvi-lo longas noites no Largo do Machado, em frente ao Restaurante Café Lamas, sentados na mureta do lago ali existente, sempre acompanhado do ritmo de sua caixa de fósforos. Eram suas canções que venderam depois, mais de dez milhões de exemplares. “Alguém me disse”, toquei-a em meu programa na emissora Continental pela primeira vez - inédita - muito mal gravada em acetato, de um arremedo de estúdio do edifício Dark, próximo ao Largo da Carioca.

Garcia Netto, faleceu numa sexta - feira, 18 de novembro de 2011.

A emoção marcou a despedida de familiares e amigos do radialista José Reynaldo Nascimento Faleiros, conhecido como Garcia Netto. Cerca de 200 pessoas prestaram as últimas homenagens ao radialista de 82 anos, que foi velado no Velório São Vicente de Paulo. Foram entregues 14 coroas de flores de amigos e parentes.

Segundo um de seus três filhos, o comerciante José Reynaldo Nascimento Falleiros Jr., Garcia Neto almoçou na sexta-feira, depois sentou-se em sua cadeira de balanço favorita e não acordou mais. “Meu pai era uma pessoa realizada, que viveu plena e intensamente, e que até na morte teve dignidade.” Segundo o atestado de óbito, a causa da morte foi um problema no coração. Há alguns meses o radialista se submeteu a cirurgia contra um câncer, vinha se restabelecendo bem e comparecendo a exames periódicos.

Além de familiares e amigos, estiveram presentes o estoriador e escritor José Chiachiri Filho, o deputado estadual Gilson de Souza (DEM) e o vice-prefeito Ary Balieiro (PTB), entre outras autoridades de Franca, que fizeram parte da vida do radialista. As últimas palavras, antes que o corpo fosse levado ao crematório em Jabotical, foram ditas pelo pastor e amigo Ronaldo Gomes Sathjer. Ao fazer diversas citações bíblicas, o religioso emocionou os presentes. Sob uma salva de palmas, o caixão foi colocado dentro da van. Três carros de familiares cortejaram Garcia Neto até Jaboticabal, onde o corpo foi cremado.
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